Capitulo 99 – Noruega

julho 13th, 2013

Noruega, a mais desconhecida das monarquias nórdicas, e como sempre, cheia de surpresas. Começo pelo nome da capital: Oslo. Segundo algumas possíveis interpretações e traduções das línguas ancestrais, quer dizer “planície ao pé da colina”, ou seja : Piemonte !!!  Uauuu …. encontrei a minha primeira ligação com essa terra.

Se a Suécia e a Dinamarca eram caras, o que dizer da Noruega? Bem mais cara. O povo daqui vai fazer supermercado na Inglaterra, que parece uma pechincha ….. E tudo proibitivo mas passei dois dias comendo salmão norueguês, a comida mais barata que tem por aqui, custa a metade de um hambúrguer normalzinho.  Depois de algumas horas o melhor é parar de fazer contas porque senão da um certo desespero, então vai passando o cartão, porque pagar em dinheiro é mais complicado, e relaxa.

Ninguém pede nenhum documento, mas com isso ate já me acostumei e nem deixo mais o passaporte na mão, nem mesmo no embarque do próximo voo. Mas o hotel é melhor, dessa vez é um hotel  normal, com tarifa especial para agente de viagens.

Que delicia entrar em um quarto normal de hotel. Me lembro mais uma vez da historia do rabino que vivo recontando. Aquela do judeu que estava desesperado porque morava em uma casinha com a sogra e o cunhado. Não aguentava mais os dois e foi  reclamar para o rabino e este pergunta:

Você tem um cachorro?

Sim!

Então coloca dentro de casa.

Mas ….

Você tem uma cabrinha?

Tenho mas …

Coloca dentro e volta daqui a uma semana.

Uma semana depois o judeu, que se já estava enlouquecido com a sogra e o cunhado, foi a beira da loucura com o cachorro e a cabra. Ai o rabinho disse:

Agora tira de casa o cachorro e a cabra ….

Depois de tirar os animais de casa, o judeu achou que estava no paraíso.

Meu quarto  deste hotel 3*, depois dos três anteriores,  me parece um pequeno palacete com uma cama de viúva, um mesa com cadeira, uma poltrona de leitura, um banheiro completo com pia e ralo e tem ate uma tabua e ferro para passar roupa … mas não tem um pedaço de plástico nesse quarto, nem no lixo do banheiro. Absolutamente nenhum.  O plástico me parece um material abolido do cotidiano norueguês. As comidas fastfood são embalas em papel e os cestos para reciclar o lixo estão por todos os lados.

Mas mesmo terminada a minha maratona de visitar 13 clientes em 6 cidades em 5 dias, não consigo dormir bem essas duas ultimas noites em Oslo e o motivo é banal: a cortina da janela não vai ate o chão então a luz matinal entra e me acorda. Luz matinal aqui não se trata do nascer do sol as 06h30 …. não … estamos quase no paralelo  60N e aqui, no verão,( e estamos quase lá),  o sol brilha por quase 19 horas, a meia noite faz penumbra  e amanhece antes das  4 da manha.  É desnorteante olhar para o céu as 23h00 e ter as nuvens rosadas.  Você anda pelas ruas tarde da noite sem nenhuma preocupação de segurança .. quer dizer, acho que aqui nem na mais profunda escuridão alguém se sente em risco.  Minha filha adoraria isso, muita luz a noite. Mas imagino o que é o inverno aqui, com luz so entre as 09h00 e as 16h00.

Hoje é sábado, faço hora ate o meio dia para ir ao aeroporto e voltar para Itália. Finalmente terei algumas horinhas para um pouco de turismo e o que não posso perder de ver nessa cidade é o Parque das esculturas de Vigeland. Trata-se de um escultor norueguês (1869-1943), considerado o mais talentoso do pais no período que culminou na independência da Suécia (1905). Assim,  ganhou do Estado um espaço dentro do parque Frognerparken para expor suas esculturas em granito e em bronze. Ele fala do homem e da roda da vida: nascimento, infância, juventude, maturidade, velhice e morte. Um tema simples e emocionante. Suas estatuas nuas são de uma expressividade profunda mostrando situações do cotidiano de forma simples e direta.  O Obelisco porem me incomodou um pouco com suas 121 imagens de seres humanos nus embaralhados na pedra. Lembra outras esculturas que já vi, que retratavam o holocausto.

Quase 11 da manha, hora de partir. Acaba a viagem para a Scandinavia e mais uma vez confirmo que não existe paraíso na Terra. Cada canto desse planeta tem suas dores e suas delicias e por isso é tão legal viajar e conhecer os outros. Aquilo que escrevo que parece critica as vezes é um elogio ao contrario, uma reconfirmação de que em outro lugar existe uma solução mais legal para o mesmo problema, ou uma forma de tocar a vida mais alegre mesmo que mais trabalhosa. Que bom que existe ainda tanta diversidade no Mundo e acho que é nossa missão preservar as diferenças.

Volto para casa feliz porque essa semana terei visitas muito importantes em casa: a Fe e o Feijão !!!! Vivaaaaaaaaaaaaaaa

Beijos e até a próxima viagem!

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