Capitulo 98 – Dinamarca

julho 13th, 2013

Entrei na Suécia, sai da Suécia, entrei na Dinamarca e ate agora ninguém quis ver meu passaporte. Nem no aeroporto, nem no hotel,  nem no trem, ninguém nem olhou direito para mim. Isso é o que a minha latinidade mais ressente: a falta de um olhar.

Em Copenhagem me sentei em um parquinho infantil para comer minha salada-almoço comprada no supermercado e fiquei observando as criancinhas correrem de lá para cá, passarem por mim e não me darem nem uma olhada, nem um sorriso. Suas mães/tias/avos tampouco.  Você parece sempre transparente.  As pessoas passam por você e não percebem que ali existe um ser vivo.

Mas vai além, o hotel reservado na cidade não tem recepção. Um dia antes da entrada eles te mandam um sms com um código para se digitar na porta do prédio e o numero do teu apartamento. A partir das 16 horas o código fica ativo e basta você digitar esse numero de seis dígitos nas cinco portas que te separam da tua cama e vc terá acesso ao teu micro quarto. Mas se precisar de alguém, dançou, não existe nenhum ser humano além de outros hospedes perdidos. As 12h00 o código è desativado e se vc tiver deixado tuas malas no quarto para ir na esquina, de novo, dançou!

Falando em micro quarto, este è o terceiro hotel e a cada chegada uma surpresa. O primeiro tinha uma cama de solteiro e uma mesinha, era um single para mulher porque se fosse alguém com um pezinho 42 em diante não conseguiria andar ate o banheiro, que na comparação não era tão pequeno. O segundo quarto não era maior do que o primeiro, mas o banheiro era praticamente um retângulo dentro do quarto separado por uma porta de vidro, com uma pia de 20 cm x 10 cm e um chuveiro sem ralo.  Neste aqui tem um banheirinho completo mas tem também um  aviso de que limpeza do quarto e troca de toalhas  só a cada 5 dias.

Com isso volto ao tema da inexistência de serviços e de pessoas em contato com você. Faço o próximo voo com a SAS e pela primeira vez na minha vida tenho que fazer não só o check in on line e a emissao de cartão de embarque sozinha, mas tenho também que imprimir e etiquetar a minha mala, tomando cuidado para ficar com o canhoto e prender certinho a etiqueta antes de deixa-la na esteira de bagagens.

Aqui não tem mão de obra para as coisas mais simples da vida. Por exemplo o correio. Cadê o nosso amigo carteiro que andava em baixo da chuva ou do sol de rachar, que corria dos cachorros e que as vezes tinha que adivinhar onde se escondia uma casa? Ta procurando emprego na fabrica do papai noel …  Agora as cartas e pacotes  vem pelo celular. Você recebe um sms com um código. Vai no quiosque informado, digita o código do sms e escanea teu documento, A porta se abre para vc retirar a tua encomenda. By the way, é um dos correios mais caros do mundo, como eu já esperava….

Acho que quando um escandinavo chega na América Latina tem um susto, um choque quase fatal. Ou adoram ou detestam porque os códigos são muito diferentes. Pouca gente mas muita eficiência …. enquanto por essas bandas tem tanta gente, tanto contato humano e tão pouca eficiência.

Me despeço da terra de Hans Christian Andersen e da LEGO, (sabia que é uma empresa dinamarquesa?) porque tenho que embarcar de novo … Oslo aqui vou eu … e vou escrevendo …

Beijos

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