Capitulo 96 – Napoli – Parte 2

julho 13th, 2013

Depois de menos de 48 horas em Napoli não é que da para escrever um guia sobre este lugar, mas algumas coisas são legais de registrar.

Primeiro posso explicar um pouco, e superficialmente, a origem da cidade e consequentemente de seu nome.

Esta região era parte da Magna Grécia, ou seja, de origem grega e não romana. Era uma colônia chamada “Neapolis” que significa “cidade nova”, dai seu nome em versão italiana ser “Napoli”.  A relação com Roma veio mais tarde, por volta do ano 300 a.C. e estava baseada em um frágil equilíbrio que alternava ameaças, guerras e declarações de amizade ou fidelidade. Neapolis era mais fraca do que o vizinho do norte, mas mesmo assim conseguiu manter suas tradições, festas, teatros  e não deixou de ser um centro refinado de cultura grega.  Depois foi invadida e anexada por vários  outros reinos e conquistadores mas a experiência que deixou marcas ainda muito presentes  é a do período das Duas Sicílias, sob domino espanhol.

De historia, por hoje tá bom!

Sobre a Gastronomia, não ouso nem começar o discurso a respeito da pizza, já que é de conhecimento até do mundo mineral (como diz Mino Carta), de que aqui nasceu a pizza no formato que conhecemos, talvez apenas relembrar que também é aqui o berço da pizza margherita, uma homenagem à rainha da Itália, recém unificada, em visita a cidade, que é servida com a pizza tricolore como a bandeira italiana, (queijo, tomate e basilico… bla bla bla, acho que tá todo mundo cansado de ouvir essa historia).

Um pouco menos conhecido, porem,  é que vem dessa região a verdadeira mozzarella di búfala. Napoli é a capital da Região da Campania, famosíssima pela produção deste queijo que é tão nobre como o vinho ou os outros produtos agrícolas italianos, também com registro DOP (denominação de origem protegida). A búfala, animal de origem asiática, tem que ser registrada em cartório e toda sua alimentação bem como  produção do queijo é completamente controlada. Ah, o nome do queijo? Vem do verbo “mozzare” (tradução livre: cortar) que se refere a parte do processo de sua elaboração, praticada desde a Idade Media.  Depois de comer a mozzarella daqui será mais difícil encontrar uma boa mozzarella em Torino …. que dirá em São Paulo …

Mas tem uma outra tradição napolitana que me apaixona tanto quanto a mozzarella, o presépio.

Em principio se trata daquela decoração natalícia, a representação da cena de nascimento de Jesus na manjedoura, com Maria e Jose, a vaca, o burrinho e os três reis magos chegando.

Mas em Napoli nasceu uma tradição a partir de 1700, de se construir o presépio  dedicando um certo  espaço a cena sagrada, pequeno em comparação com o restante da composição, uma verdadeira obra de arte que reproduz  a cidade barroca, o lado profano do cotidiano. Se trata de um retrato da sociedade napolitana daquele período com bonequinhos (dependendo do presépio muda a escala)  feitos em barro e vestidos com tecidos da época, representando cenas do cotidiano como o vendedor de peixe, a senhora que lava a roupa, o menino que brinca, a barraca de frutas ou de carnes, os pastores com seus rebanhos, o rio que passa sob a ponte, a mulher que canta do terraço da casa, o musico que toca, tudo ambientado na cidade napolitana e feitos a perfeição, de uma beleza impressionante.

Existem alguns museus dedicados aos presépios barrocos tradicionais mas se trata de uma tradição ainda viva e encontramos inúmeros ateliers no centro de Napoli que produzem e vendem as figuras para quem quer montar o seu presépio:  pessoinhas e todos os elementos necessários para  compor a cidade, como o tijolinho para fazer a casa, a janelinha, o poste de luz, o terraço, a banca com todas as frutas coloridas, os bebes de colo, o tanque de lavar roupa, os animais, tudo muito rico em detalhes.

Um explicação interessante sobre  a cena de Jesus, Maria e Jose. No presépio napolitano eles não estão em um estabulo nem em numa gruta, estão sempre no meio de ruinas do que seria a cidade greco-romana, entre restos de colunas que poderiam ser de um templo. Representa fisicamente as origens da cidade, construída sobre as ruinas da antiga Neapolis, mas tem também um significado subjetivo, da vitória do cristianismo sobre as religiões pagãs.

E assim termina essa rápida visita ao sul. Temos um trem noturno para Roma e outro de volta para Torino, que me aguarda para uma aula sobre a Historia do Brasil a ser dada em italiano para um publico de umas 50 pessoas, em um clube no bairro. Que nervoso …

Beijos e ate a próxima viagem.

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