Capitulo 95 – Napoli – Parte 1

julho 13th, 2013

Estamos no trem para Napoli. Lotadíssimo. Muita gente de pé nos corredores e sentados na escadinha de saída, algo muito difícil de ver no norte.  O trem faz um milhão de paradas, sobe e desce muita gente no caminho. De repente aparece um vendedor de agua. Anda com um balde cheio de garrafinhas de agua e me faz lembrar os vendedores de bolachas e chocolate nos ônibus de São Paulo. Me sinto em casa.

Depois de umas três horas, chegamos.

A primeira aventura é encontrar o hotel. Fica perto da estação de trem, mas como a praça esta em reforma, é tudo muito caótico. Precisamos atravessar uma rua bem movimentada e parecemos dois suecos, esperando na faixa de pedestre que abra o sinal para nós enquanto os locais vão atravessando a rua, driblando os carros que passam em velocidade. Quando o sinal fica verde começamos, os dois, a sambar na frente dos carros, driblando os motoristas que não estão nem ai para as cores do semáforo e passam, daltônicos, sobre quem estiver na frente. Temos que entrar no ritmo napolitano onde não existem algumas regras, especialmente estas de semáforos e faixas de pedestres. Ao nosso lado pára uma van e observando as pessoas que entram e saem,  intuo que se trata de uma “lotação” napolitana, igualzinha as nossas.  Na minha opinião essa gente acharia o Largo Treze, no bairro de Santo Amaro, um pedacinho da Suiça. Mas estamos entrando em outro mundo. Aqui não é como no resto da Itália que eu conheço.

Enquanto as cidades como Milano, Roma, Torino estão cheias de imigrantes que as vezes se movem desconectados da paisagem, Napoli esta cheia de napolitanos, que vivem em equilíbrio com a sua cultura, falam sua língua, comem sua comida, se movem em sincronia, tudo com muita bagunça, muita sujeira e muita dignidade. Muito difícil entender o que falam porque se comunicam em napolitano ou então em um italiano arrastado, sonolento, cheio de gestos e de movimento de ombros.

O Andrea, já  no primeiro dia da sua vida em Napoli, ficou um pouco traumatizado com a dificuldade de  comunicação. As 21 horas entramos na estação do metro, que se confunde um pouco com a do trem porque tem trens regionais que fazem parte da rede urbana e encontramos um trem parado. Era exatamente o que devíamos pegar mas não encontramos nenhuma maquininha para fazer o bilhete. Um rapaz estava parado na porta do trem conversando com alguém la dentro e o piemontês Andrea decidiu perguntar para ele: como faço para comprar o bilhete do metro?

O rapaz respondeu primeiro com um olhar de completa surpresa, mexeu as mãos e os ombros e disse: Mas a essa hora? Que bilhete?  …. e continuou a conversa com alguém la dentro. Nos olhamos e …. ok …. vamos entrar. Sentado na segunda fila tinha um senhor com o uniforme da Ferrovia. O Andrea tentou novamente e este senhor respondeu: eu não sou um cobrador, não tenho a menor ideia ….Relaxamos e fizemos a viagem sem pagar.

Fomos ate um bairro que fica a beira mar para  caminhar pela  orla e jantar em um restaurante com mesinhas fora, olhando a baia de Napoli.

Como já era tarde e queríamos ainda caminhar, perguntamos ao garçom de um deles qual era o horário de encerramento.  Novo trauma para o Andrea. O rapaz ficou olhando como se ele fosse um extraterrestre. Depois pronunciou alguma palavra, tipo: fechar? Horário? Levantou o queixo como quem provoca, franziu a testa e disse algo como: pergunta aos clientes quando eles querem ir embora.  Meu príncipe savóia ficou desconcertado. Saiu como um cãozinho envergonhado e disse que não entendia mesmo esses napolitanos.

Mas não acabou aqui. Quando estávamos voltando para o hotel, tardíssimo, fomos procurar um ônibus e numa pracinha onde tinham duas paradas de ônibus, o Andrea perguntou para um grupo de rapazes que passava  qual ônibus parava ali. Resposta? Estamos tentando entender ate agora. Eles riram, fizeram gestos, demonstravam surpresa pelo absurdo da nossa curiosidade mas um deles, mais gentil, nos apontou um ponto de taxi. Claro que não pegamos nenhum taxi e começamos o percurso de retorno ao hotel a pé.  Depois de muitos quilômetros, já cansados, vimos um ônibus que ia na direção da estação de trem e estava parando no ponto ao nosso  lado. Subimos no ônibus mas não tivemos coragem de perguntar ao motorista se devíamos pagar para ele a passagem. Napolitanamente nos sentamos para apreciar a paisagem!

Amanha conto mais

beijos

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