Capitulo 65 – Na Polonia

março 17th, 2013

No dia 27 acordei as 7 horas da manha, 15 minutos antes do despertador tocar.

Para alivio geral, amanheceu mais fresco do que os últimos dez dias.

Tinha um longo percurso pela frente: uma caminhada até a Estação de Porta Nuova para pegar um trem, as 08h50, que me levaria em duas horas até a Estação Central de Milão. Ali eu pegaria um ônibus para fazer uma viagem de uma hora ate o aeroporto de Bergamo.  Deste aeroporto saia meu voo com a legendaria Ryanair para Lodz (se le Woodgie) na Polônia. Do aeroporto de Lodz pegaria um ônibus ate a Estação de trem de Kaliska, uma das 3 que existem na cidade e de onde sairia o trem para Varsóvia.  Desembarquei  na capital polonesa as 20 horas para fazer ainda uma longa caminhada ate o hotel.

Aqui  estou, pela segunda vez na Polônia, com muita coisa para descobrir e aprender sobre este meu segundo pais.

Encontrei aqui um clima completamente diferente do italiano e não me refiro à temperatura. Falo da cidade em obras. Se constrói uma nova linha de metro, novos prédios de escritórios, o comércio não fecha no almoço, abre final de semana e na segunda feira a noite os bares e restaurantes estão abertos e cheios de gente. Parece até o terceiro mundo …

Faço a primeira reunião, a segunda, a terceira e em todas sou recebida com sorrisos, copos de água, uma enorme xícara de café e um abraço na despedida. Completamente diferente da minha experiência italiana. E tudo isso antes de contar que sou também polonesa. Depois que mostro meu RG polonês novinho (busca-lo foi um dos motivos pelos quais vim para Varsóvia agora) ganho até beijinhos.

Não falar a língua é um problema. É difícil entender qualquer palavra em polonês e pouca gente fala inglês. Fico dependendo da boa vontade das pessoas e isso não faltou nesses quatro dias que andei por aqui: uma mocinha me mostrou como validar o bilhete no ônibus, uma senhora me orientou para passar pela catraca do metro e uma velhinha se aproximou de mim, em um ponto de ônibus, para me explicar, com muita mímica, que a rua estava bloqueada e não passaria nenhum ônibus ali. Ou seja, com muitos gestos fui conversando e sendo  ouvida.

Mas caminhando em Varsóvia não consigo desligar o radar que me porta ao universo hebraico, que ainda é forte aqui. A memória material esta espalhada pela cidade que foi completamente destruída na Segunda Guerra. É fácil perceber que foi reconstruída sob gerencia soviética porque as ruas e avenidas são larguíssimas, enormes, os quarteirões são longuíssimos e andar a pé por aqui é quase um trekking. Lembra Moscow. Mas a gente tropeça o tempo todo em placas e monumentos que lembram os mortos e os  heróis da guerra e dos Levantes (do gueto e da cidade). Entre tantas esculturas tem uma especial,  desenhada por um famoso artista polonês chamado Nathan Rapoport.

Descobri também que Ludwik Zamenhof está enterrado no cemitério judaico de Varsóvia. Quem é ele?? O inventor do Esperanto!

Vou comendo pierogues (vereniques para os patrícios) no almoço e na janta, me fartando com o fato de ser um dos pratos mais comuns da gastronomia polonesa, ate a hora de voltar para Lodz para a ultima reunião, a ultima noite e a viagem de volta para a Itália.

Assim, pego um ônibus no centro de Lodz para chegar ao aeroporto. Na duvida, confirmo com uma jovem sentada na minha frente que também carrega uma mala, que a ultima parada é no aeroporto. Ela confirma. Chegando ao aeroporto, vou diretamente para o embarque, faço todo o processo de raio X e controle de malas da Ryanair e aguardo o avião para Bergamo. Terei que fazer o mesmo percurso da vinda: de Bergamo pegarei um ônibus para a Estação Central de Milão, um trem ate Torino e uma caminhada ate minha casa.

Embarco logo e consigo um assento na fila da saída de emergência. Já no final do embarque me perguntam se o assento ao meu lado esta vago … era a jovem do ônibus. Senta-se e depois de alguns sorrisos confirmamos que viemos no mesmo no ônibus ate o centro. Brincando pergunto se por acaso ela não vai para Torino e pasmem, vai mesmo !! Neste momento se senta um rapaz no terceiro assento da fila, sorri para nos e o avião decola.

Assim que descobrimos que ambas falávamos italiano ela começa a me contar sua vida, que tem um namorado italiano e por isso esta passando alguns meses la, ate setembro quando recomeçam as aulas na faculdade em Varsóvia. Conto que sou também polonesa e conversamos sobre a vinda dos meus avos para o Brasil. Neste momento o jovem, que é italiano, entra na conversa para comentar que tem varias nacionalidades, entre elas israelense e norte americana. Depois de uma hora e meia de voo e de muito papo, nos oferece uma carona ate Milão e assim passamos mais 45 minutos falando sobre política, crise europeia, America do Sul , crescimento brasileiro e judaísmo.  E ele me repete quase as mesmas palavras daquele argentino-suiço que encontrei no trem para Zurich : você tem que conhecer Israel, já !

Em 1986 e tive um convite para fazer essa viagem que acabou cancelada por uma greve da Iberia …  Tenho  guardada ainda a passagem aérea emitida. Acho que esta chegando a hora de reprograma-la  porque não é possível ficar cruzando com pessoas, semana sim, semana não,  que querem fazer minha cabeça …

Penso no assunto,

Beijinhos

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