Capitulo 57 – Castelos e Montanhas e Castelos

outubro 24th, 2011

Chegou o final de semana, sem as meninas, com o carro da nonna e um convite de um hotel no Valle D’Aosta. Mala, mapas e “via” !!!!

O Valle d’Aosta ou Vallée d’Aoste é a menor das Regiões italianas e fica no extremo norte do país, na fronteira com a França e Suíça. Por ser uma região de fronteira, goza de um regime político especial, que lhe confere uma grande autonomia em relação à Roma. Esta independência é principalmente financeira, ou seja, recebe verbas e não precisa repassar quase nada ao governo nacional. Alem disso, é uma região oficialmente bilíngüe, todas as placas e documentos são em italiano e frances, que se aprende na escola desde pequenininho. Outra característica fundamental desta região é que ela esta no Alpes, e isso determina toda a sua tradição: o ritmo da vida ditado pela natureza (inverno é inverno, sem brincadeira), a gastronomia (uma comida de montanha muito calórica) e os diversos “patois” que são os dialetos, mais de 200, falados em casa vale, (por muitos séculos os vales não tinham comunicação entre si e se desenvolveram dialetos diferentes em cada um).

Nossa primeira parada, logo depois da divisa do Piemonte com o Valle D’Aosta, foi em Bard, que tem um forte construído todo em pedra, no alto de uma montanha, como tem que ser, mas que foi transformado em Museu. Alem de uma mostra do Mirò, que não visitamos, tem um Museu dos Alpes, que explica os aspectos geológico, geográfico e humano. É muito completo, mas achei um pouco confuso…

Depois, indo para o Oeste, começamos um percurso lindo, cheio de castelos medievais, como de filme, um depois do outro. Aprendi que não era casual a construção dos castelos mais ou menos alinhados. Era fundamental que de um castelo se pudesse enxergar dois, um a leste e outro a oeste, porque assim se formava a rede de comunicação: se houvesse qualquer agressão externa, a informação seguia adiante por espelho ou fumaça. Pela estrada a gente perde a conta de quantos castelos se avistam, mas se pode visitar apenas seis e entre o sábado e o domingo, visitamos quatro.

Nosso objetivo principal, porem, era o de chegar ao extremo ocidental do Valle, na fronteira com a França, e conhecer a maior montanha da Europa: o Monte Bianco. O hotel que nos convidava ficava bem perto, em Courmayeur, uma típica cidade de montanha, assim como …. Campos do Jordão …

Chegamos no final da tarde do sábado, com um céu azul m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o, sem nenhuma nuvem, uma visibilidade completa e a Montanha, majestosa, dourada com o sol de fim de tarde, salpicada de neve, olhando para nos!

O domingo amanheceu todo nublado, mas a gente não se intimidou, e lá fomos nós, subir o Monte Bianco…. em teleférico!! Uma bela subida. Ainda é feita em 3 fases, saindo de 1300 metros, para chegar em 2.175 m da primeira estação, depois 3.355 na segunda estação, e finalmente a Ponta Helbronner, a 3.462m. Eu disse ainda porque está em construção um novo teleférico, super moderno, que fará em 2 etapas, mas vai demorar uns 4 anos para entrar em funcionamento. Durante o verão se pode fazer a travessia para a França em teleférico ou a pé, passando sobre uma geleira e desembarcando em Chamonix, o que deve ser uma experiência única, mas única foi também a nossa experiência, de superar a camada de nuvens que estava a 2 mil metros de altura, olhar para baixo e ver um mar de nuvens e todos os picos que estão acima desta altitude. La em cima estava completamente aberto, sem vento, com uma visibilidade impressionante. Dava para ver o Monte Rosa e o Monte Cervino que ficam na fronteira com a Suíça e por pouco não dava para ver o mar de Genova … Muito emocionante olhar o horizonte assim distante, imenso, impávido, em paz. A Ponta Helbroner é um território binacional, bem no meio passa a linha divisória entre a Itália e a França, coloquei um pé em cada pais e meu celular apitou com uma mensagem nova: era a Tim que me dava as boas vindas na França … Depois de uma hora de fotos e filmes (e de encontrar 3 brasileiros) descemos a montanha para começamos a voltar para casa.

No caminho paramos ainda para visitar mais um castelo. Este, acho que o castelo mais interessante de se visitar, esta ainda todo mobiliado e conta uma historia não de guerra, mas de vida feudal, de senhores e servos, do dia a dia, de fofocas, de casamentos, de historias como a nossa. Muitas paredes afrescadas com cenas do dia a dia, mas todas as paredes grafitadas e rabiscadas. Eu ia fazer o comentário com o Andrea, de que é um absurdo como são “bárbaros”, sem educação, sem respeito, esses italianos e demais turistas, quando a guia que nos acompanhava explicou : estes rabiscos e grafites, em todas as paredes, em todo o castelo, são do século XV …. tem um historiador que esta estudando e escrevendo um livro sobre isso.

Bárbaros, sem educação e sem respeito, desde o século XV …. isso que eu chamo de tradição!!

Beijos

PS.: Dedico este capitulo ao Alexandre (da Latitude) porque foi por sua solicitação que fui atrás das informações sobre o Monte Bianco, para descobrir um novo percurso lindo e inédito.

2 Responses to “Capitulo 57 – Castelos e Montanhas e Castelos”

  1. Esther! Que relato lindo!
    Fiquei aqui vendo nosso roteiro sendo desenhado e depois utilizado (e lembrando obviamente das minhas experiencias alpinas e do Mont Blanc ou Monte Bianco, dependendo de que lado o pé está…) quando vejo no final a dedicatoria! Fiquei felicíssimo e estou ja pronto para finalizarmos isso e colocarmos para correr agora!
    Continuo por e-mail direto para voce.

    bjs,

    Alexandre

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