Capitulo 47 : Eu também quero falar de Strauss-Kahn

setembro 24th, 2011

No mundo inteiro se fala do agora ex-diretor do FMI, Strauss-Kahn e suas aventuras sexuais nas terras do Tio SAM.

Eu acho incrível que alguém com a experiência política internacional que tem esse senhor, provavelmente conhecedor não só da lei, mas da moral norte americana quando se fala em sexo, e representante de uma instituição importante como o FMI, possa ter pensado em transar com uma desconhecida em um hotel de luxo em plena Nova York!

Sem pretender entrar no mérito da questão de estupro, abuso sexual ou sexo consentido, nos USA, pais onde se orienta os homens estrangeiros a nunca entrar em um elevador onde haja apenas uma mulher para não correr o risco de ser acusado de Assedio Sexual, não se transa!! Menos ainda se você for alguém importante.

Mas ler essa noticia aqui na Itália tem outro aspecto muito interessante: comparar a atitude do Estado norte americano e do italiano frente a um delito.

Ontem a noite assisti um programa famoso aqui, chamado ANNOZERO, com a presença dos mais importantes jornalistas italianos para discutir este tema. Como convidado especial, Al Gore.

Milhares de comparações vieram a tona : para começar Strauss-Kahn, alegando inocência, se demitiu do FMI para preservar a instituição enquanto Berlusconi, alegando ser macho, não larga o poder de jeito nenhum. Nos USA, um diretor do FMI e possível candidato a presidência francesa vai ver o sol nascer quadrado por ter abusado sexualmente de uma negra imigrante enquanto na Itália lhe seria oferecida imigrantes de outras cores também, em uma festinha “bunga bunga” em Arcore – Milano (casa de Berlusconi). Em duas horas de programa, estes jornalistas levantaram as diferenças entre estas duas formas de conceber a lei e a justiça e as inúmeras intersecções com o caso Rubygate.

O final do programa o jornalista e escritor Marco Travaglio me fez rir muito. Em sua crônica sobre o tema, contou que correm boatos de que Strauss-Kahn esteja pedindo sua cidadania italiana, já que este evento nova-iorquino seria parte positiva em uma carreira política italiana, e que aqui a historia seria outra: ele não seria chamado de estuprador, apenas de utilizador final de uma camareira e que seria considerada Invasão de Privacidade contar o que aconteceu naquele quarto de hotel. Pelo olhar berlusconiano são os bolcheviques infiltrados na Policia de Manhattan e no Judiciário que estão fazendo uso político da Justiça e que não se tem provas de que Strauss-Kahn estava fugindo só porque estava tentando desesperadamente pegar o primeiro vôo para Paris. Aqui a camareira seria considerada uma agente da KGB ou da Al Qaeda ou ainda da Hammas e o Strauss-Kahn um altruísta que a violentou apenas para evitar que ela fosse violentada por alguém (essa frase foi assoprada por Berlusconi).

Algumas mudanças poderiam ser introduzidas nas já infinitas propostas de mudanças de leis que Berlusconi vive enviando ao parlamento. Primeiro uma de Imunidade Absoluta para grandes dirigentes, especialmente para os altos representantes do FMI, segundo uma que prevê prisão para os jornalistas que escreverem sobre o caso antes do seu desfecho e, por ultimo, um adendo a lei sobre a Prescrição Breve (mencionada em capitulo anterior, que provoca os mais acirrados debates) que seria de prescrição brevíssima para o caso de atos sexuais, prescreveria no próprio ato da ejaculação, na verdade seria chamada de Prescrição Precoce.

Por hoje é só,

beijos

os. Soube que a casa de Berlusconi, sempre identificada como “Arcore” (o distrito onde fica) agora é chamada de “Hardcore”.

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